O
sucesso de Edir Macedo é enorme. Trata-se de um fenômeno religioso sem
igual. Em 30 anos, o modesto fluminense nascido em 1945 e convertido
ao evangelho no Rio de Janeiro em 1964 fundou uma igreja neopentecostal
que hoje tem quarenta luxuosas catedrais, mais de 4.700 templos e
quase 10 mil pastores só no Brasil. Em média, a cada quinze dias, a
Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) constrói um templo e transfere
um dos seus obreiros para fora do país. É a maior distribuidora de
Bíblias e uma das maiores locatárias do país (paga o aluguel de 8.806
imóveis). Já se estabeleceu em quase todos os países do globo e em
alguns faz tanto sucesso como no Brasil. Na Argentina, a igreja tem
cinco catedrais, mais de 150 templos, trezentos núcleos, duzentos
pastores e 66 horas de programas de televisão por semana, além do
jornal “El Universal”, com tiragem de 170 mil exemplares. A catedral de
Guayaquil, no Equador, tem 7.500 metros de área construída e custou 8
milhões de dólares. A de Soweto, na África do Sul, ficou por 20
milhões. Em Portugal estão sendo construídas duas catedrais, uma em
Lisboa e outra no Porto. Macedo pretende construir a mais arrojada
catedral da Universal em um quarteirão de 28 mil metros quadrados no
bairro do Brás, na cidade de São Paulo. Orçado em 200 milhões de reais,
o templo terá dezoito andares e acomodará 13 mil fiéis assentados.
Além das atividades religiosas, a Universal tem construtoras,
seguradoras, empresas de táxi aéreo, agências de turismo, mídia e
consultorias, que geram 22 mil empregos diretos e mais de 60 mil
indiretos.
O sucesso de Edir Macedo diz respeito também aos seus negócios
particulares. Ele e a esposa são donos da Rádio Copacabana e da Record,
a segunda maior rede de televisão do país, com 99 emissoras (próprias e
afiliadas) e 6 mil funcionários, cujo valor deve estar na casa de 2
bilhões de dólares.
A grande pergunta que todo mundo faz à boca pequena, especialmente os
evangélicos, é como entender o sucesso de Macedo. Seria indício da
bênção de Deus em sua vida e obra? Seria o resultado do exercício tenaz
da oração? Seria o fruto de um avivamento promovido pelo Espírito
Santo? Essas três possibilidades enfrentam séria dificuldade em vista
de certos ensinos, certos procedimentos e certos métodos da Universal,
que agridem a pureza do evangelho de Jesus, todos relacionados
principalmente com a teologia da prosperidade. Há que se considerar
também o estranho sincretismo religioso abraçado pela IURD.
Outra possível explicação para o fenômeno poderia ser o estilo
empresarial de Macedo, já exposto na reportagem "A igreja de Edir Macedo
tornou-se um conglomerado que mescla religião, mídia, política e
negócio" (edição de novembro/dezembro de 2007).
Levando-se em conta que Deus é o soberano Senhor sobre todos e sobre
tudo, portanto o Senhor da história, pode-se até supor que Macedo seria
o seu servo, o seu vassalo, o seu agente, um instrumento de juízo para
provocar nas igrejas cristãs alguma resposta, alguma reação, alguma
providência. Deus não chama o poderoso rei da Babilônia de “meu servo
Nabucodonosor” (Jr 25.9)? Não diz sobre o poderoso rei da Pérsia que
“ele é meu pastor e realizará tudo o que me agrada” (Is 44.28)?
A IURD é apenas a mais visível de todas as denominações cristãs que
estão abraçando a infeliz teologia da prosperidade. Quase todas as
igrejas neopentecostais e não poucas igrejas de linhas pentecostal e
tradicional estão sendo perigosamente seduzidas por este movimento,
nascido nos Estados Unidos no início do século 20 (veja Raízes históricas da teologia da prosperidade).
Para satisfazer o público obcecado muito mais por seu próprio
bem-estar material do que pela busca do reino de Deus (o que Jesus
condenou no Sermão do Monte), muitas igrejas estão sendo tentadas a
deixar de lado o evangelho original e abraçar o “outro evangelho” (Gl
1.16). Na verdade, as igrejas pentecostais e históricas não devem ficar
impressionadas nem com o sucesso numérico nem com a grande
visibilidade das igrejas neopentecostais. Jesus manda tomar mais
cuidado com o alicerce do que com a casa em si. Sem esse alicerce
cavado na rocha, que é Cristo, a casa mais cedo ou mais tarde cairá e
sua queda fará “um barulho medonho” (Mt 7.27, BV). Uma das tentações a
que Jesus foi submetido era, nas palavras de John Stott, “ganhar o
mundo satisfazendo sua fome por meio de uma exposição sensacional do
poder”. Jesus não transformou pedras em pães, não se jogou da parte
mais alta do templo ao chão nem se curvou diante de Satanás para evitar
a cruz e ganhar de lambuja “todos os reinos do mundo e o seu
esplendor” (Mt 4.8). Stott diz ainda que “o Diabo adora nos persuadir
de que os fins justificam os meios” (A Bíblia Toda, O Ano Todo, p. 177).
Nota
Os dados sobre Edir Macedo e a Universal foram retirados de “O Bispo — a história revelada de Edir Macedo” (Larousse, 2007).

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